Impasse entre SMTT e Arsal prejudica usuários de ônibus

Mariana Lima / 12:38 - 07/11/2017

Linha de ônibus que liga Cruzeiro do Sul à Ponta Verde é suspensa e passageiros são tirados de dentro dos veículos


Ônibus parado a caminha de Maceió (Foto: Cortesia)

Ônibus parado a caminha de Maceió (Foto: Cortesia)

Imagine ter que passar 2h30 no ônibus para ir de casa ao trabalho e o mesmo tempo para voltar, todo dia. Imagine agora uma mudança no itinerário que pode diminuir esse percurso em 40 ou 50 minutos a cada viagem – ótima novidade, não é? Mas a alegria dos moradores de Rio Largo e região que trabalham ou estudam em Maceió durou pouco e a linha Cruzeiro do Sul-Ponta Verde, que começou a operar ontem, segunda-feira (06), teve seu funcionamento interrompido na manhã desta terça (07), por agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Maceió.

A SMTT alega que a nova linha ainda não possui a autorização necessária para circular dentro de Maceió e, portanto, configura transporte irregular de passageiros. Da sua parte, os usuários dizem que a liberação da linha Cruzeiro do Sul é de atribuição da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal), que deu o aval para circulação.

“Não é uma linha nova, é só uma mudança de itinerário, do ônibus que fazia a linha Aeroporto-Ponta Verde, para que ele não passe mais no Cruzeiro do Sul, siga direto. Nós sabemos que a Arsal liberou e tem a documentação toda, tudo normal. Agora, fica essa coisa entre a SMTT e a Arsal e a população fica no meio, prejudicada”, desabafou Josinaldo Belo, representante da Associação Comunitária dos Moradores do Recanto e Região, que acompanhou a manifestação da manhã desta terça após o bloqueio da SMTT.

Os agentes de Maceió foram até as imediações do bairro Eustáquio Gomes – segundo Josinaldo e colegas, na verdade estavam em Satuba, jurisdição da Arsal, onde não poderiam atuar – e pararam os ônibus da linha Cruzeiro do Sul-Ponta Verde. A SMTT autuou a empresa Veleiro por transporte irregular, mandou os passageiros descerem dos ônibus ou retornarem com eles para a garagem. Vídeos nas redes sociais mostram a revolta dos usuários.

Diante da ação, alguns motoristas atravessaram os ônibus na pista, no sentido Rio Largo – Centro de Maceió, e provocaram tumulto no trânsito no começo da manhã. Transtornos que, infelizmente, a jornalista Fátima de Paula está acostumada a enfrentar em seu percurso diário de Rio Largo à Jatiúca, onde trabalha, em Maceió, ao pegar o único meio de transporte público disponível na área onde mora – é inviável para ela, em termos de custos e logística na saída e no destino, ir até a estação da CBTU e pegar o VLT para Maceió.

“Essa linha ajudaria bastante, tanto para quem mora no Cruzeiro e tanto para quem mora em Rio Largo, pois só temos uma opção e o ônibus vem super lotado. Não dobra [a quantidade de veículos disponíveis], mas diminui o tempo gasto, porque não precisamos entrar no Cruzeiro. São uns 35 minutos só nesse trajeto, é bom até para os moradores de lá, que o ônibus fica mais vago”, destacou Fátima.

O que diz a SMTT

Antônio Moura, superintendente da SMTT, disse que entende os passageiros passaram por um constrangimento, mas a superintendência precisa ser rígida às vezes, “senão vira bagunça”.

Ele explicou que a Arsal tem autonomia para liberar a saída da nova linha do Cruzeiro do Sul, mas cabe apenas à SMTT liberar a circulação em Maceió. A empresa Veleiro deu entrada nesse pedido, mas o processo ainda não foi liberado.

“O processo está tramitando na SMTT, a equipe faz o estudo de itinerário e, se tudo estiver certo, há autorização. É como o quebra mola, há a necessidade, mas tem que ter controle. O processo da Veleiro para esta nova linha ainda está em avaliação, é uma prerrogativa assinada no próprio contrato da licitação”, alegou Antônio Moura.

De acordo com o superintendente, a previsão é que alguma decisão sobre essa linha seja tomada até a próxima sexta-feira (10). “Se não houver nada contrário, a linha vai ser liberada, mas infelizmente a população vai ter que esperar”, arrematou.

A reportagem tentou entrar em contato com a Arsal através de sua assessoria, mas não obteve sucesso.


Comentar usando