, Domingo - 22 de Julho de 2018

 

IMA flagra carvoaria em fazenda de presidente da Câmara de Piranhas, AL

Do G1 AL / 9:39 - 12/10/2015

Vereador Agilson Ferreira Bastos foi multado em R$ 25 mil. Ele diz que terreno estava alugado e que não tinha ciência da prática ilegal


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Ilustração

Fiscais do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) flagraram uma carvoaria, em uma fazenda no município de Piranhas, na Região Sertão do estado, realizando o crime de desmatamento ambiental. De acordo com o IMA, a propriedade ao presidente da Câmara de Vereadores do município, Agilson Ferreira Bastos, que foi multado em R$ 25 mil por crime de desmatamento de uma área de caatinga preservada de 70 mil metros quadrados.

O Instituto relatou ainda que, no local, árvores como o angico, catingueira e aroeira foram derrubadas e viraram 147 sacos de carvão. Os agentes afirmam que os três fornos, usado para a produção do mineral, foram destruídos.

O presidente da Câmara negou que tinha conhecimento da ação, pois o terreno estava alugado por terceiros. “Alugo para [a fazenda] pessoal criar gado e colocar roça. O cidadão que alugou fez esse pequeno desmatamento e eu não tinha conhecimento”, diz.

A fabricação de carvão é proibida devido aos danos causados ao meio ambiente, mas no Sertão, a prática ainda é comum. Na região, é possível avistar diversos fornos na beira da estrada.

A aposentada Maria José de Aquino, de 83 anos, diz que criou os filhos e os netos fazendo carvão, aproveitando a madeira de roçados, locais desmatados para a criação de pastos ou de agricultura. “Derruba as varinhas para fazer um legumezinho, um pastinho pros bichos, né? Aí aproveitamos as varinhas que sobraram”, explica.

Devido a prática ilegal, a caatinga, típica no nordeste brasileiro, vai desaparecendo. A reportagem flagrou, em um trecho de 10 quilômetro, oito carvoarias. Em um trecho, lenhadores estavam cortando as plantas e, ao avistar a equipe de reportagem, fugiram do local.

O saco com 20 quilos de carvão é vendido por nove reais. Um dos compradores, afirma que compra o material para revender em outra cidade. “Faço isso para dar o que comer a minha filha e a minha mulher. Só por isso mesmo”, diz Gildo Viana Lima.

Maria Francisca da Silva, que também mora na região, afirma que é contra a prática. Há cinco anos ela planta mudas de oito espécies da caatinga e afirma que fica feliz em realizar a prática. “Fico muito alegre quando eu vejo essa grande natureza plantada. Eu tenho muito orgulho disso e sempre passo para as comunidades”, explica.

De acordo com o IMA, que realiza a fiscalização das carvoarias, durante as últimas fiscalizações realizadas no Sertão, três proprietários de terras foram autuados e sete fornos foram destruídos. O órgão relata que tem investido em operações de fiscalizações, na criação de unidade de conservação públicas e particulares e na educação ambiental para evitar o desmatamento e as práticas ilícitas.

Segundo o instituto, as carvoarias ainda existem por uma questão história e de má-fé de alguns empresários. Os infratores devem responder um processo administrativo, sendo obrigado a reparar o dano. Caso o proprietário não realize o reparo, uma ação civil pública pode ser ajuizada.

Se os proprietários dos locais que realizam a prática irregular forem flagrados, eles podem ser presos, em uma pena que pode chegar a quatro anos de prisão, e pagar uma multa que varia entre R$ 25 mil e R$ 1,2 milhões, além da multa pela madeira apreendida, que é de R$ 300 por metro Cúbico.


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