Boa Noite!, Quinta-Feira - 21 de Março de 2019

 

Governo camicase

O DIA + / 9:48 - 10/03/2019


Nunca na história do Brasil, plagiando Lula, e evitando ironias; nenhum governo se autoflagelou, ou melhor, se autoflagela, tal qual o governo Bolsonaro. A gestão do capitão reformado à frente da administração federal não mede esforço em provocar polêmicas, causando desgaste junto à opinião pública e também seus correligionários.

Não se resguarda, nem mesmo no período do carnaval – época propícia para tirar os holofotes dos inúmeros tropeços, nesses poucos mais de dois meses de governo. Pelo contrário, a festa de Momo foi o pretexto para mais um mal feito presidencial.

Contrariado com cenas explícitas de sadomasoquismo, praticado por dois homens durante passagem de um bloco de carnaval, Bolsonaro não se conteve e resolveu compartilhar a pornografia com seus seguidores no Twitter. Objetivo: denunciar a falta de pudor dessas pessoas e, por tabela, atribuir tal gesto como registro do que seria o carnaval no país.

O tiro saiu pela culatra, mais uma vez, e o crítico presidente foi bombardeado por uma onda de repreensões na rede social. Há de se reconhecer, respeitando os gostos pessoais em matéria de sexo, que a cena ao ar livre extrapola os limites da civilidade, não indicando tal fato ser representação de nenhum tipo de manifestação popular. Enfim, imprópria sob todos os aspectos, principalmente, como alegaram os dois protagonistas, que a intenção era fazer uma manifestação política, o argumento não convence.

Mas, também, imprópria é a veiculação do grotesco gesto por um chefe de estado em um canal de comunicação. Tal assunto jamais deveria merecer a atenção do presidente Jair Bolsonoro, uma vez que presidente é uma instituição com responsabilidades que extrapola aquelas que cabem à pessoa física. Assim, Jair Bolsonaro, cidadão comum, capitão reformado do Exército brasileiro pode fazer uso de sua conta pessoal no Twitter da maneira que melhor lhe convém, atentando sempre para o bom senso, recomendação para qualquer cidadão.

Chefe de Estado e de governo, como é no caso do sistema presidencial brasileiro, representa uma nação, deve dar bons exemplos e tecer comentários que contribuam para o debate político. Arrefecer os ânimos mais exaltados, apaziguando as massas, em vez de contribuir para aprofundar as diferenças políticas, ideológicas que só levam a deterioração de um povo devem ser encaradas como prioridades, pois são assuntos estatais, na medida em que influencia os rumos da política. Mas, atitude serena nunca foi uma prioridade desse governo que sempre apostou numa “retórica” onde os mais abjetos assuntos são tratados como se fossem pauta de estado.

Comentários desnecessários, recheados de preconceitos e ofensas pessoais tem sido a tônica do clã Bolsonario, assim não contribui para a crítica política e tão somente alimenta o ódio. Como se não bastasse as inúmeras polemicas, na última quinta-feira, 7, o presidente em discurso para fuzileiros navais no Rio de Janeiro afirmou que democracia e liberdade só existem quando as forças armadas querem.

Bolsonaro se esquece que na democracia a carta magna da nação, ou seja sua Constituição, é que estabelece o papel das forças armadas e não o contrário. O desgaste a que esse governo se impõe é algo que beira a insanidade. Exposto às intempéries das críticas, não consegue usar as “armas” adequadas que dispõe um governo, para argumentar, contratacar, sustentar ideias e teses que foram desenhadas em seu programa governamental.

A ele parece ser mais fácil ser a própria arma e se deteriorar diante de seus correligionários e oposição, como um Camicase, onde suas ações beiram ao suicídio político.


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