Entenda a relação dos americanos com as armas de fogo

Exame / 12:00 - 11/11/2017

Massacres recentes nos Estados Unidos trouxeram à tona um antigo debate e polêmico na sociedade americana: o controle de armas de fogo


Pouco mais de um mês depois do maior massacre a tiros da história do país, que aconteceu em Las Vegas e deixou 59 mortos, os Estados Unidos viveram um novo episódio deste tipo no último domingo, 5. Naquela manhã, Devin Patrick Kelley, de 26 anos, invadiu uma igreja na cidade de Sutherland Springs (Texas) fortemente armado e matou 26 pessoas.

As tragédias vêm trazendo à tona um antigo debate na sociedade americana: o controle de armas de fogo. A situação tornou-se ainda mais delicada depois da notícia de que Kelley conseguiu adquirir suas armas apesar da condenação anterior por violência doméstica. Isso aconteceu por uma falha das autoridades, que não o incluíram à base de dados usada pelos estabelecimentos para verificar antecedentes criminais de seus clientes.

Protegidas por um lobby fortíssimo por parte da NRA (Associação Nacional de Rifles), as armas de fogo são um tema delicado nos Estados Unidos, e controverso para os seus presidentes. Barack Obama, por exemplo, prometeu em diferentes momentos de suas campanhas e gestão que atuaria por um maior controle sobre a venda desses itens, mas pouco avançou.

Donald Trump, por outro lado, tem na NRA uma aliada política poderosa. “Vocês têm um amigo verdadeiro na Casa Branca”, disse o republicano para a cúpula da entidade durante um evento em Atlanta, Geórgia, no 99º dia da sua presidência. “O governo nunca mais irá tentar minar seus direitos e liberdades enquanto americanos”, prosseguiu em discurso.

A cada novo massacre, surgem novas tentativas da Casa Branca de afastar o controle de armas do centro do debate. Em Las Vegas, Trump chamou o incidente de “ato de pura maldade”. Em Sutherland Springs, chegou a dizer que o problema era de ordem mental e pediu que as armas de fogo não fossem culpadas pelo que aconteceu.

Do lado da população, o país parece dividido. Uma pesquisa recente do Pew Research Center mostrou que a maioria dos americanos é a favor de certos limites para a compra desses artefatos, mas entre as pessoas que são donas desses itens e as que não são, há discordância sobre como tais limites devem ser.

O problema das armas de fogo nos EUA é complexo e está longe de pacificado, especialmente quando se olha para o ritmo com o qual tragédias como as de Las Vegas e Sutherland Springs acontecem no país. Só em 2017, foram 308 massacres a tiros, o que equivale a quase um incidente por dia do ano.

Para ilustrar essa complexidade, EXAME compilou dados e números no infográfico abaixo:

infografico-armas-estados-unidos


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