Doutor na Uneal, Lula recarrega forças em Alagoas

Mariana Lima / 6:41 - 23/08/2017

Título Honoris Causa contou presença de vários prefeitos do interior e até com subida em carro de boi


Lula é recepcionado em Arapiraca pelo reitor da Uneal (Foto: Cacá Santiago)

Lula é recepcionado em Arapiraca pelo reitor da Uneal (Foto: Cacá Santiago)

Depois de chuva e quase três horas de atraso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Ginásio João Paulo II para receber seu título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), em Arapiraca. O que era para ser um evento e um ato durante a manhã desta quarta-feira, entrou tarde adentro ao som de palavras de ordem, tambores de afoxé e até “declarações de amor” a Lula.

Não era campanha, mas a todo tempo parecia uma. Teve até um bebê devidamente vestido de vermelho alçado ao palco para que Lula o beijasse. A “Caravana da Esperança” que o ex-presidente está fazendo pelo Nordeste não é apenas um atestado de força política, mas uma forma bastante efetiva de manter vivo e na mente das pessoas a mística que cerca o presidente Lula – não houve um momento sequer em toda cerimônia que o prefixo “ex” tivesse sido utilizado.

E os personagens envolvidos fizeram questão de manter essa aura lulística. Bandeiras e estrelas vermelhas por todo lado, idosos contando a quem quisesse ouvir como eram gratos aos anos de governo Lula. Estudantes pendurando faixas enquanto uma grande militância tingia de vermelho todo o ginásio. Além dos tradicionais gritos de guerra – “Olê, olé olê olá, Lula Lula” e até o “Lula, guerreiro do povo brasileiro” – alternavam lugar com os bem humorados “Lula lindo” ou “te amo Lula”.

Momento da concessão do título 9Foto: Ricardo Stuckert)

Momento da concessão do título (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente não deixou por menos. Lançou beijos, acenos, abraços, atendeu pedidos por fotos e selfies, ouviu o homem que empunhava o cartaz “obrigado pela Ufal de Arapiraca”. Como de praxe, o público aproveitou a fama de improvisador e aproveitou ao máximo a presença de Lula.

“Eu fui lá para frente mesmo quando ele entrou e fiquei pedindo para tirar foto. Ele disse que não podia, que tinha que esperar o fim da cerimônia, mas eu falei que precisava sair para trabalhar, aí ele disse ‘então vem’ e eu estou saindo com uma foto com o Lula”, contou eufórica a bancária Catarina Tavares, que chegou no ginásio às 7h30, vestindo vermelho, como as colegas.

A solenidade

Depois de muitos pedidos do cerimonial, o público se acalmou e teve início a Sessão Solene do Conselho Superior da Uneal, que enfim outorgaria mais um título de Doutor Honoris Causa para sua vasta coleção – mais de 30, apenas deste tipo. Às 13h, o reitor da Uneal, Jairo Campos, subiu ao púlpito e avisou que ia falar tudo o que “está engasgado aqui”, disse, referindo-se ao episódio da ameaça de morte sofrida diante da homenagem.

“Filho de pobre pode ser a peste, mas tem a oportunidade de estudar. Nunca antes na história desse país, o pobre teve oportunidade de viver dignamente”, disparou Jairo, falando sobre filhos de pobre na faculdade de Medicina, Pronatec, Institutos Federais, Prouni e até o Ciência sem Fronteiras.

Ainda entrou na lista a reclamação contra “terceirização em massa, lei da mordaça para os professores e as políticas neoliberais”, momento em que po público arrematou um dos vários fora Temer do dia.

Lula ouviu tudo com um olho no cerimonial e outro no público. Acenou, mandou beijos e, quando foi seu momento, agradou os alagoanos citando Nise da Silveira. “É dela a seguinte frase: é necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade”, ao que completou o pensamento. “Nós nos indignamos com a injustiça e nos contagiamos pelo desejo de mudança. Por isso, criamos programas que colocam a universidade a serviço da transformação da realidade brasileira”.

O discurso não foi ouvido apenas por militantes e apoiadores, mas por uma presença maciça de prefeitos de municípios do interior de Alagoas, beneficiados durante seus mandatos e ainda os da ex-presidente Dilma Rousseff. Juntaram-se a eles, à mesa, o governador Renan Filho, o vice Luciano Barbosa, o senador Renan Calheiros, deputado federal Paulão e, para além dos políticos, a reitora da Universidade Federal de Alagoas, Valéria Correia.

E, como Lula é Lula, a solenidade acabou com o presidente subindo em um carro de boi levado por agricultores de Inhapi, ao som de vivas e gritos do público que tentava chegar perto de Lula antes que ele fosse embora. E, assim, a caravana seguiu.

Para desespero da segurança, Lula subiu em carro de boi foi levado por agricultores (Foto: Mariana Lima)

Para desespero da segurança, Lula subiu em carro de boi foi levado por agricultores (Foto: Mariana Lima)


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