De volta aos palcos, Wilma Miranda e Leureny Barbosa levam emoção e poesia ao Teatro Deodoro

Aline Alves - Estagiária / 3:10 - 05/05/2017


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(Foto: Cacá Santiago)

Afetos e encontros que se transformam em poesia. Entre o copo, a vitrola e a fumaça, a vida é cantada em sua plenitude na voz das divas Wilma Miranda e Leureny Barbosa, duas grandes mulheres que se eternizaram na cena da MPB e Bossa Nova local e retornam aos palcos do Teatro Deodoro no próximo dia 11 de maio, marcando 40 anos de carreira.

Durante bate-papo com a imprensa, em café de lançamento realizado na última quinta-feira (4), a irreverência deu o tom. No encontro, o contato com o carinho de amigos, admiradores, músicos e formadores de opinião além de felicitações e desejos de sucesso pelo retorno eram uma constante.

“Foi uma escolha complicada”, diz Wilma. A idéia foi reunir obras primas e músicas de qualidade que falam de amor e celebram memórias afetivas, revivendo a experiência das noites de Bossa Nova e música ao vivo nos Pianos Bar da capital. Mais do que o reencontro com um público adepto da boa música, Entre o Copo, a Vitrola e a Fumaça reflete um capítulo da história de nossa música que o estado agora tem a oportunidade de prestigiar.

Leureny Barbosa foi revelada ao público nacional em 1970, ao se apresentar no programa “A Grande Chance”, na TV Tupi do Rio de Janeiro. Antes disso, já havia traçado uma sólida carreira por festivais, programas de Rádio e TVs locais e da cidade do Recife. Gravou ainda compactos com músicas de Marcos Valle e Geraldinho Carneiro e em 1996 cantou para uma platéia emocionada no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, só para elencar alguns dos momentos mais marcantes de sua vida e obra.

Já na trajetória de Wilma, o gosto pela música popular brasileira veio à tona ainda nos tempos de escola, ao iniciar sua carreira com o grupo do Colégio Imaculada Conceição Apolo XI. Durante dez anos vivendo em São Paulo, aperfeiçoou suas habilidades  vocais com a premiada cantora Célia. Durante suas passagens por Buenos Aires e Barcelona, emocionou toda uma platéia adepta do melhor da nossa música.

Juntas, além de recordarem com muito bom humor episódios vividos em décadas de amizade e cumplicidade, dentro e fora dos palcos, elas falaram sobre a seleção de um repertório que traduz, em composições de nomes consagrados no cenário local e nacional como Djavan, Chico Buarque, Lupicínio Rodrigues e Tom Jobim, as emoções e alegrias vividas até aqui.

(Fotos: Cacá Santiago)

(Fotos: Cacá Santiago)

Em outro momento de nossa conversa, Wilma e Leureny destacaram ainda a importância do legado de Belchior, também presente em seu repertório, que nos deixou recentemente no fim de abril.

Na avaliação das divas, além de falar de suas vivências de forma singular, as composições do cearense foram o reflexo de momentos decisivos não só de sua vida pessoal, mas também de um Brasil à época da ditadura, o que elevou sua obra a uma dimensão maior.

“Nós somos do tempo em que se ia a um show para ouvir o artista. Hoje, as pessoas que vão ao show cantam junto”, diz Wilma. Proporcionar uma experiência diferenciada à platéia é um dos intuitos de Leureny, que promete, assim como Wilma, levar aos palcos do Deodoro um momento poético e contemplativo, que fala de amor de forma a sensibilizar e aflorar no público as mais tocantes emoções.

O show tem início às 20h e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (R$ 80 inteira / R$ 40 meia).


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