Torcida sem Time

No ranking de sócio-torcedores divulgado pelo Movimento Por Um Futebol Melhor, o CSA supera em números de associados alguns clubes do Campeonato Brasileiro das Séries A, como Goiás; da B, como América-MG; da C, como Londrina-PR, Caxias-RS, Confiança-SE, Botafogo-PB, Tupi-MG; e da D, como Botafogo-SP, Ypiranga-RS, Campinense-PB, Gama-DF e Treze-PB. Porém, o CSA não está em nenhuma dessas Séries. Isso quer dizer que, mesmo sem calendário de jogos no segundo semestre dos últimos anos, a torcida azulina segue fiel ao seu time do coração, que faz 102 anos no dia 7 de setembro. Coincidências à parte, há sete anos o Azulão não conquista o Campeonato Alagoano. Nessafase, o clube teve sete presidentes. Quem durou mais tempo no cargo foi Jorge VI, que, somando as letras, dá sete. Conforme a análise de torcedores azulinos, como o aposentado Antônio Miguel dos Santos, de 54 anos, e o funcionário público Clailton dos Santos, 48, a crise se deve à vaidade de dirigentes. E vaidade é um dos sete pecados capitais. Em 2013, os torcedores picharam o muro do Mutange com os seguintes dizeres: “A vaidade de vocês [dirigentes] está prejudicando o CSA”. Diante desse alerta, a reportagem traz casos polêmicos ocorridos nas sete gestões e que mostram o CSA desunido e sem força, ao contrário do que prega o lema do clube.

TEMPOS DE PENÚRIA

com pequenas variações, histórias de desunião e falta de planejamento se repetiram nas últimas sete gestões CSA se tornou o seu maior adversário.

Desunião, fofocas, intrigas, mandatos inacabados de presidente, extracampo turbulento, amadorismo no futebol profissional, bastidor agitado e falta de um planejamento com começo, meio e fim. Esses são fatos que marcaram o CSA nos últimos sete anos e se transformam nos maiores adversários que o clube tem de driblar para voltar ao caminho da vitória. Nesta reportagem especial, o jornal O DIA ALAGOAS traz o retrospecto de desavenças protagonizadas por dirigentes, ex-diretores e conselheiros que acabaram prejudicando o time dentro de campo.

Entre as constantes confusões que respingaram no elenco azulino e ocasionaram diversas crises estão brigas internas de dirigentes da oposição e até mesmo da situação.

As picuinhas chamavam até mesmo a atenção de treinadores e jogadores que passaram pelo Azulão. Para se ter uma ideia dessa situação, em junho de 2008 quando foi demitido do comando-técnico, o treinador Antônio Lopes Júnior elogiou a torcida do CSA chamando-a de maravilhosa, mas disse que o clube era desorganizado e não tinha planejamento. Ainda naquela ocasião, o técnico disse tinha muito dirigente dando ordens. Além de Lopes Júnior, os técnicos Cirio Quadros e Beto Almeida e o zagueiro Adalberto também tornaram público que os desentendimentos dos dirigentes azulinos foram os maiores adversários enfrentados pelo time. Em março de 2012, Círio Quadros entregou o cargo e disse que os problemas envolvendo a diretoria são mais difíceis de vencer do que os adversários dentro de campo. Em março de 2013, o técnico Beto Almeida e o zagueiro Adalberto também reclamaram do extracampo. Só que Almeida foi mais além, afirmando que nunca presenciou recorrentes discussões de dirigentes nos clubes por onde passaram.

Mesmo com alguns dirigentes jogando contra o próprio clube, o grupo de apaixonados pelo CSA se tornou em uma torcida sem time. Em entrevista à reportagem, os próprios torcedores reconheceram que o racha entre os diretores atrapalha o CSA, pois a história do time cobra um elenco parecido com os dos tempos dourados do clube.

PRIMEIRA ERA RAFAEL TENÓRIO

(De maio a agosto de 2008)

Em maio de 2008, Ricardo Coelho renuncia à presidência do CSA, apesar da conquista do título do Campeonato Alagoano. Mandatário diz estar abandonado. Sozinho, vê as despesas crescerem. Dívidas atingem R$ 150 mil. Ele pede ajuda aos dirigentes. Uns alegam que vão renunciar e outros nem atendem às ligações.


POLÊMICAS

Uma semana após a renúncia, Rafael Tenório é aclamado presidente. Novo mandatário promete levar o CSA ao caminho das vitórias. No primeiro ato no cargo, firma parceria com o Corinthians Alagoano. Acordo causa racha na diretoria.
Alguns dias após a parceria, os conselheiros criam outra polêmica ao pedir exclusão do ex-presidente Francisco Ferro dos quadros do Conselho Deliberativo. Ferro é acusado de ter cometido improbidade administrativa durante a gestão de Ricardo Coelho, com a suposta negociação dos atacantes Alexsandro e do zagueiro Anderson, que deve ter causado prejuízo financeiro ao clube do Mutange.
Dias depois, Rafael Tenório firma nova parceria. Desta vez com italianos. Projeto com duração de cinco anos tem o objetivo de colocar o CSA na Série A e negociar jogadores da base para o exterior. Porém, a parceria não dá certo.


TROCA DE TÉCNICOS

Dia 24 de junho de 2008, após três semanas de trabalho, o técnico Antônio Lopes Júnior é demitido. Motivo: desobedece a diretoria ao não escalar o volante Magno no amistoso contra o Treze-PB, que terminou 3 a 0 para o CSA. Lopes Júnior reconhece a força da torcida, mas desmerece o trabalho dos dirigentes azulinos. Segundo ele, a diretoria é desorganizada, não sabe fazer um planejamento e gosta de dar muitas ordens. Magno foi a revelação do CSA no Alagoano.


TORCIDA REVOLTADA

Em julho de 2008, a torcida azulina vai ao Mutange protestar contra a má campanha na Série C e atuação dos dirigentes. Muro é pichado com os seguintes dizeres: “Azulão é tradição e não humilhação”, “Jogadores mercenários”, “Diretoria sem atitude” e “Conselho omisso”, Há também crítica à parceria com o Corinthians Alagoano: “Parceria inútil!”. Rafael Tenório vê o ato como natural e diz estar só no comando do Azulão.

Dez dias depois, torcedores voltam a protestar no Mutange por conta da eliminação na Série C. Eles pedem a renúncia da diretoria e do presidente do Conselho Deliberativo Gino César. Torcida ameaça fechar os portões do clube com correntes e cadeados, caso Gino e os vice-presidentes não renunciem. Com a pressão da torcida e de Tenório, Gino coloca o cargo à disposição, mas responsabiliza mandatário pelo vexame.


ABANDONO

Em agosto, Tenório se licencia por 90 dias. Abel Duarte, que ocupava a vice-presidência geral assume a presidência. Em novembro, Tenório entrega carta-renúncia. Ex-presidente avisa que retornará e o CSA é um saco sem fundo, com uma dívida de R$ 5 milhões.

ERA ABEL DUARTE

(novembro de 2008 a outubro de 2009)

Em novembro de 2008, Abel Duarte, o interino de Rafael Tenório, é aclamado presidente. Toma posse em chapa única.


POLÊMICAS

Em fevereiro de 2009, Junta Diretiva é feita para administrar o futebol. Abel dá carta-branca ao grupo encabeçado por Cícero Cavalcante e Raimundo Tavares, que têm autonomia sobre as finanças - arrecadações de jogos, receitas e quotas de partidas.

Tempo depois, Abel cobra acordos que não estariam sendo cumpridos pela Junta, como prestação de contas, no caso relativo aos R$ 550 mil resultantes da Copa do Brasil, Alagoano, cotas de TV e patrocínios. Relatório deveria ser apresentado todo o quinto dia útil do mês. Clima fica tenso entre Abel Duarte, Cavalcante e Tavares.

Em maio de 2009, surge outra desavença entre Cavalcante, Tavares e Abel, que discorda da volta do atacante Júnior Amorim. O presidente da FAF, Gustavo Feijó acaba intriga.

Já em agosto de 2009, a paralisação na construção do campo 2 do Mutange, iniciadas em novembro do ano passado gera tensão entre torcedores e dirigentes. Membros da Associação Azulão eu Sou acusam o vice de Patrimônio Adão dos Santos de ter pedido a eles o reembolso de R$ 8 mil, que o dirigente teria investido, para continuar a obra.


TROCA DE TÉCNICOS

Mal começa o Alagoano, Lorvival Santos deixa o CSA por melhor oferta salarial do Central-PE. Flávio Barros é contratado. Antes de Lorival, o técnico era Luiz Carlos Cruz.

Má fase no Estadual continua e a diretoria traz de volta Lorival no lugar de Flávio Barros. Novamente, Lorival deixa o CSA. Maurício Simões é anunciado como substituto, desembarca em Maceió, assiste a um jogo do Azulão, mas ao oficializar acordo, indica comissão técnica. Diretoria recusa e contrato não assinado. Lino assume interinamente.

Uma semana depois, Lino sai e chega Hugo Sales, que não passa um mês no cargo. Júlio Espinosa é a bola da vez. Os vexames continuam e a diretoria resolve dar uma satisfação à torcida: demite Espinosa traz Gilmar Batista.

Em maio, para fazer diferente na Série D, contrata Celso Freitas para vaga de Batista. Após comandar um jogo, Freitas troca o CSA pelo Campinense. Celso Teixeira assume.


TORCIDA REVOLTADA

Diante da má campanha no Estadual, torcedores vão ao Mutange e xingam Abel durante reunião com os jogadores. Mandatário discute com alguns membros da organizada Mancha Azul. O cartola vê o protesto como ação orquestrada da oposição. No outro caso de protesto, a torcida usa nariz de palhaço e joga ovos no campo.


TRAPALHADA

Em agosto de 2009, CSA faz trapalhada e é eliminado da Série D. O Azulão deu adeus a competição junto com o Santa Cruz-PE, após empate por 2 x 2. No decorrer do jogo que estava empatado, os jogadores evitararam atacar o adversário. Em clima de festa dentro de campo esperaram o tempo de o jogo acabar, porque receberam a informação de que o resultado levaria o time à próxima fase, o que foi um equívoco.


ABANDONO

Em setembro de 2009, Abel se licencia. Alega problemas pessoais. Pleito é antecipado para outubro.

PRIMEIRA ERA JORGE VI

(outubro de 2009 a outubro de 2011)

1ª GESTÃO

Em outubro de 2009, Jorge VI é aclamado presidente. Chapa única.


POLÊMICAS

Em menos de um mês no cargo e na primeira reunião de planejamento, oficial de Justiça vai ao Mutange e entrega a Jorge VI intimação de penhora de R$ 75 mil de processo movido contra o CSA por um ex-funcionário do clube. Chega a informação da cobrança de R$ 1,5 milhão do Atlético-MG pela multa contratual de empréstimo do goleiro Jefferson. Mas o valor é R$ 600 mil. Irritado com dívidas, Sexto quer responsabilizar gestões passadas. Mandatário faz auditoria e causa confusão ao cobrar ex-presidentes.

Com a desistência do Igaci da 1ª Divisão, Jorge VI busca vaga no tapetão. FAF descarta. Dirigentes de clubes votam pelo retorno do CSA. A Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas (TJD/AL) acata liminar do TJD-AL e desfaz decisão de cartolas. Sexto vai ao STJD, mas desiste. Depois pede antecipação da Segundona. Sem sucesso.

Os vices Alírio Albuquerque (Patrimônio) e Marcelo Bibiano (Financeiro) discutem. Embate ganha repercussão e Alírio pensa entregar o cargo por causa de Bibiano.

Depois é a vez de o técnico Lino discutir com o Alírio. Motivo: Alírio proíbe Lino de comandar treino no campo principal. Dias depois, o dirigente entrega o cargo.

Nem o retorno à Primeirona ameniza crise. Dois meses após a volta à elite, o vice de Futebol Cícero Eugênio diz que está "despedaçado".

Picuinhas de diretores chegam aos fóruns de discussões de torcedores na internet.

Em fevereiro de 2011, surge a notícia da volta da Junta Diretiva. Jorge VI logo desmente.

Três meses depois, dizendo-se perseguido por críticas disparadas pelo radialista Eduardo Cardeal, Jorge VI vai tirar satisfação no momento em que dá entrevista ao vivo para o comunicador. Dias depois, os dois fazem as pazes.

Gustavo Dacal deixa departamento jurídico e diz que CSA é motivo de humilhação.

Para forçar a saída de Eugênio, os vices Luciano Sampaio (geral), Marcelo Bibiano (financeiro), Max Mendes (marketing), Hugo Moura (social), Luiz Gutemberg (médico) e Marcondes Alberto (administrativo) ameaçam sair. Mas Moura e Gutemberg renunciam.


TROCA DE TÉCNICOS

Em janeiro de 2010, Lino leva CSA da Segundona à elite. Para Primeirona, Mário Tilico assume. Em menos de um mês é demitido. Edson Freitas é contratado. Sem calendário, em 2011, CSA joga Segundona com time B. Celso Teixeira é o treinador.


TORCIDA REVOLTADA

Em janeiro de 2010, torcedores da Associação Azulão eu Sou criticam o vice de Futebol Eugênio na formação do elenco para a Segundona.

Protestos de torcedores vão parar na Internet. Dirigentes partem para discussão virtual.


ABANDONO


Em setembro, Sexto se licencia. Alega problemas de saúde e diz estar perto de “malas’.

SEGUNDA ERA JORGE VI

(outubro de 2011 a julho de 2013)

18 de Outubro de 2011

Em outubro de 2011, após tornar público que não concorreria à presidência, Jorge VI é aclamado e reeleito para o biênio 2012/2013. Objetivo é concluir o Projeto Centenário. Em julho de 2012, afasta-se do cargo para concorrer às eleições de vereador. Eugênio assume o cargo.


POLÊMICAS

Em fevereiro de 2012, o CSA tem prejuízo de cerca de R$ 25 mil com sumiço de 1,2 mil ingressos do jogo CSA e CEO. Caso para na polícia. Jorge VI rompe parceria com a empresa BWA, que confecciona, distribui e vende os bilhetes dos jogos do Azulão.

Um mês depois, uma confusão sobre a liberação do campo para um "racha" repercute na imprensa. Sexto libera o jogo sem autorização do vice de Patrimônio Adão dos Santos e do diretor de Patrimônio Raniel Holanda. O mandatário alega não ter conseguido avisar.

Em maio de 2012, um grupo de conselheiros cobra prestação de contas, bem como aconteceu a negociação dos jogadores Wilson e Wagner. Jorge VI apoia cobrança.

Mandatário desmente Rafael Tenório e diz que entregará carta renúncia e deixará o cargo. Sexto diz que as críticas sofridas às vésperas da eleição para vereador o prejudicaram.

Em novembro de 2012, Jorge VI se desentende com Tenório. Dizendo-se triste porque Tenório havia contado à imprensa que o CSA tem passivo de R$ 500 mil. Sexto e Cícero Eugênio desmentem o valor afirma que quantia é de R$ 197 mil. Dias depois Tenório pede que Jorge VI renuncie após quitar dívidas. O mandatário volta afirmar que assumiu o CSA com muitas dívidas e já arcou com R$ 2 milhões de débitos.

Em dezembro de 2012, a diretoria do CSA aciona a Polícia Civil para forçar o ex-diretor Financeiro Marcelo Bibiano a entregar prestação de contas da gestão de Jorge VI, relativas ao biênio 2010/2011. Sob ameaça de ser preso, Bibiano entrega os papéis.

Em abril, o Cruzeiro teria escalado de forma irregular o meia Tinga na partida que venceu e eliminou o CSA da Copa do Brasil por 3 a 0. Jorge VI diz que não houve erro do time mineiro. Depois admite parceria com a equipe celeste para que jogadores do Azulão vão para a Toca da Raposa como no caso do lateral Leandrinho.


TROCA DE TÉCNICOS

Derrota no clássico resulta na demissão de Celso Teixeira. Cirio Quadros é contratado. Para dar satisfação à insatisfação da torcida com a má campanha do CSA, a diretoria demite Círio Quadros e contrata Lorival Santos. Ao deixar o clube, Cirio Quadros diz que as desavenças entre dirigentes interfere no time. Em 2013, Lorival Santos é demitido. Beto Almeida assume e quando é dispensado também tece críticas às constantes confusões dos dirigentes azulinos que respingam no time. Lino assume interinamente.


TORCIDA REVOLTADA

Em novembro de 2012, o Movimento Resistência Azul organza um abaixo-assinado para demonstrar insatisfação com Jorge VI. Documento está disponível na Internet e os integrantes do movimento pedem a assinatura e o apoio da torcida azulina. Em resposta às críticas, Jorge VI e Cícero Eugênio aderem ao protesto.

Em janeiro de 2013, integrantes da Mancha Azul acionam extintor e direcionam para os jogadores que estão jantando em uma churrascaria em Pilar. A ação foi em revolta ao empate por 0 a 0 com o Comercial, em Viçosa, pelo Alagoano. Após incidente, a diretoria resolve contratar seguranças armados.

Dias depois, torcedores picham o muro do estádio Gustavo Paiva com os seguintes dizeres “Diretoria covarde”, “Conselho omisso”, “A vaidade de vocês está prejudicando o CSA”

ERA CÍCERO EUGÊNIO

(julho a setembro de 2012)

De forma interina, Cícero Eugênio assume presidência do CSA. Jorge VI saiu do cargo para concorrer às eleições de vereador. Em setembro de 2012, Eugênio entrega carta-renúncia.


POLÊMICAS

Com o bom desempenho na Série D, jogadores cobram pendências salariais. Dívida é de R$ 57 mil. Diretoria promete pagar, mas não cumpre. Dias depois, os atletas não treinam. Presidente do Conselho Deliberativo Rafael Tenório promete doar R$ 100 mil em duas parcelas de R$ 50 mil. O presidente em exercício Cícero Eugênio consegue R$ 68 mil e tem promessa de mais R$ 10 mil de conselheiros.

No mês seguinte, é publicada uma nota no site oficial do CSA dando conta que Rafael Tenório pede expulsão de Milton Pereira do Conselho Deliberativo. Após repercutir, release é retirado da página eletrônica. Tenório nega ter pedido a saída.

Alguns dias depois, como se lavasse roupa suja, Jorge VI e Rafael Tenório teriam discutidos de forma acalorada, mas selam a paz durante encontro em uma churrascaria em Maceió, que contou com a presença de 40 conselheiros.

ERA JURANDY TORRES

(agosto de 2013 a março de 2014)

Em agosto de 2013, Jurandy Torres é aclamado para o lugar de Jorge VI, no biênio 2014/2015. Novo mandatário promete resgatar nome do CSA.


POLÊMICAS

O gerente de futebol do CSA, Marquinhos Mossoró, avisa que vai acabar com o amadorismo e maus hábitos no Mutange. Ele diz que há menos de um mês descobriu funcionários fantasmas.

Jorge VI volta a surgir em polêmica mesmo fora do CSA. Isso porque, Jurandy Torres resolve cobrar prestação de contas e os R$ 50 mil de uma das parcelas de patrocínio da Prefeitura Municipal. O ex-mandatário resume a dizer que novo cartola quer gerar polêmica.

Em março, Jurandy Torres entrega carta-renúncia. Lumário Rodrigues assume de forma interina.

Dirigentes têm que desmentir informação que circulou entre torcedores nas redes sociais dando conta que Lino entregaria o carpo por interferência dos próprios diretores na escalação do time. De acordo com o que foi postado, Mossoró pediu para Lino escalar os jogadores que Canindé, já fora, havia ordenado.

Alguns dias depois, a diretoria anuncia a demissão de Lino e a contratação de Marlon Araújo.


TROCA DE TÉCNICOS

Em outubro de 2013, Oliveira Canindé é apresentado como novo treinador para 2014. No comando do CSA em pouco tempo, Canindé deixa o clube e ainda leva alguns jogadores com ele para o América-RN. Proposta foi atrativa. Além disso, a diretoria não poderia impedir a saída porque o contrato com o treinador era informal.

Há um ano sem comandar um clube, Estevam Soares é anunciado. Menos de um mês, Lino é colocado no lugar de Estevam Soares, demitido. O outro a assumir o cargo é Marlon Araújo, no lugar de Lino.

ERA ROBERTO MENDES

(maio a outubro de 2014 a junho de 2015)

Em maio de 2014, Roberto Mendes é aclamado para substituir Jurandy Torres.


POLÊMICAS

Logo na aclamação de Mendes, surge a primeira polêmica. Rafael Tenório é considerado persona non grata entre a nova direção, sofre retaliação de torcedores, conselheiros e dirigentes e coloca o cargo de vice-financeiro à disposição.

Um mês depois, Tenório causa uma confusão ao posar para uma foto com a bandeira do CRB e fazer com os dedos das duas mãos as inicias da organizada Comando Vermelho. A imagem circulou pela internet e os torcedores azulinos pediram a exclusão do dirigente do Conselho Deliberativo do Azulão.

Em solidariedade a Tenório, Raimundo Tavares entrega carta-renúncia. Tavares ainda dispara contra os dirigentes da nova gestão que criticam Tenório.

Após mais um fracasso no Alagoano, o vice-presidente de Patrimônio Raniel Holanda externa sua tristeza culpando a falta de comando no CSA. Ele defende uma diretoria com menos integrantes, pois há muitos componentes que não conseguem tomar uma decisão. O dirigente ainda citou a falta de planejamento e investimento no futebol.

Em junho de 2015, Roberto Mendes deixa a presidência do CSA para cuidar da própria saúde.


TROCA DE TÉCNICOS

Inicia Alagoano de 2015 com Ronaldo Bagé como técnico. Depois de quatro meses no comando do CSA, Bagé é demitido. Nedo Xavier assume o posto.


PROTESTOS

Em fevereiro de 2015, surgem os torcedores no Mutange para protestar contra a má campanha do CSA no Alagoano. Principal alvo das críticas é Ronaldo Bagé. Manifestação teve até bate boca entre torcida e integrantes da comissão técnica. Clima fica tenso.

Um mês depois, outro protesto. Desta vez, a torcida pichou muro e portão do Centro de Treinamento Gustavo Paiva. Diante de mais uma manifestação, Bagé entrega o cargo. Ainda em março, o grupo de torcedores volta ao Mutange cobrar da comissão técnica, jogadores e diretoria. A Polícia Militar foi acionada para conter os mais exaltados. O CSA amargava cinco jogos sem vitória.

ERA LUMÁRIO RODRIGUES

(junho a agosto de 2015)

O vice-presidente geral do CSA, Lumário Rodrigues, que seria o nome imediato para substituir Roberto Mendes, como rege o estatuto do CSA, chega a dizer que não quer o cargo, mas depois aceita.


POLÊMICAS

Primeiro fica decidido que as inscrições de chapas devem ser realizadas entre os dias 19 e 21 de junho. A eleição para presidente será no dia 25 de junho. A chapa de Rafael Tenório é indeferida por comissão eleitoral. Motivo: falta de documentação exigida pelo estatuto do clube. Além disso, uma nova data para o pleito será escolhida. A comissão eleitoral orienta o adiamento da eleição para que os concorrentes consigam entregar os documentos necessários. Mas o presidente do Conselho Deliberativo Silvio Camelo chega a descartar nova data, mas depois acata decisão dos integrantes que comandam o processo eleitoral.

Após o imbróglio, eleição do CSA será realizada agora no dia 14 de julho.

Como nos outros pleitos, começam a surgir pré-candidatos. O radialista Jorge Moraes e o ex-jogador Catanha se colocam à disposição do páreo. Moraes desiste logo dias depois. Catanha vai até às vésperas da eleição, mas também desiste. Ambos não conseguiram formar suas chapas. Surgiu informação de que a chapa de Catanha seria lançada com apoio de azulino contrários ao grupo de Rafael Tenório.

A nova data marcada para o dia 14 de julho é adiada mais uma vez, para dar tempo para que concorrentes consigam documentos.

Passado de glórias é alento de torcida azulina

Apesar da tristeza com o jejum de títulos, os torcedores azulinos têm orgulho de vestir a camisa e esperança de dias melhores. O aposentado Antônio Miguel dos Santos, de 54 anos, acredita que dias melhores virão para apagar esses anos de sofrimento. Como todo torcedor, ele aproveitou para alfinetar os rivais ao afirmar que se o CSA estivesse na Série B e com o time do CRB, todo jogo no Rei Pelé seria casa cheia e uma festa da torcida azulina. A provocação foi a maneira que Antônio dos Santos encontrou para afirmar que, atualmente, os apaixonados pelo time azulino se transformaram numa torcida sem time. De acordo com ele, faz muitos anos que o CSA não possui um grande elenco. Com o olhar vago, ele relembra que, no passado, o CSA foi vice-campeão da Comembol. “Na época de ouro do CSA, dava gosto ir aos jogos e torcer, mesmo em caso de derrota. A gente sentia que o time perdia, mas era de forma honrosa. E quando o CSA ganhava, era de goleada e praticando futebol de primeira”, disse Antônio dos Santos.

TIME DE PAGAR INGRESSO

O também torcedor azulino Clailton dos Santos, 48, que é funcionário público, ao ser questionado sobre o motivo de vestir a camisa do CSA em meio à crise de títulos, comparou a vestimenta a um “manto sagrado” e, após alguns segundos em silêncio, emendou: “Tenho orgulho de vestir a camisa do CSA. Fui criado no berço de azulinos. Meus três filhos são azulinos. Sou da época que deixava de ir junto com a família para uma praia para ir assisitir junto com os familiares uma partida do Azulão”, disse.

De acordo com Clailton dos Santos, que diz acompanhar o CSA desde criança, há uma década que ele não vê um time que corresponda à festa que é proporcionada pela torcida nas arquibancadas, ou seja, futebolisticamente falando, uma equipe que valha o ingresso pago.

Questionado sobre o motivo da má fase vivenciada pelo CSA, Clailton dos Santos disse que esse momento é reflexo das intrigas ocorridas nas últimas gestões que administraram o Mutange. “O pior é que há dirigente azulino que tem o prazer de ver as coisas dando errado”.