Bom Dia!, Segunda-Feira - 23 de Julho de 2018

 

Cooperativas de Alagoas são melhores do país em projeto de reciclagem

Mariana Lima / 12:06 - 15/05/2018

Ser+ Realizador, que foi renovado com 5 cooperativas de Maceió e Marechal Deodoro, é aplicado pela Braskem nos estados onde atua


As quatro cooperativas de catadores de recicláveis na Região Metropolitana de Maceió estão em primeiro lugar no ranking do Projeto Ser+ Realizador, realizado pela Braskem com grupos similares nos estados onde atuam. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14), durante a assinatura para renovação da parceria com os grupos de Maceió e a adesão da Cooperativa de Catadores de Marechal Deodoro (COOPMAR).

O termo de parceria foi assinado por Milton Pradines, gerente de Relações Institucionais da Braskem, Adir Abreu, procuradora do Ministério Público do Trabalho de Alagoas (MPT/AL) e os representantes das cooperativas Coopmar, Cooperativa dos Recicladores de Alagoas (COOPREL) – Unidades Serraria e Benedito Bentes, Cooperativa de Recicladores de Lixo Urbano de Maceió (COOPLUM), Cooperativa dos Catadores da Vila Emater (COOPVILA).

As cooperativas maceioenses superaram grupos nos estados da Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul por duas razões: terem conseguido estruturar a cadeia como um todo em Maceió (coleta, triagem e comercialização dos produtos) e a parceria com o poder público, na forma do contrato com a prefeitura municipal para coleta seletiva.

“Entre os projetos atendidos no Brasil, Alagoas está melhor situado porque não basta apenas olhar para a produção na unidade de triagem, é preciso olhar a cadeia como um todo e isso inclui a participação do poder público. Maceió tem isso com a prefeitura, estamos muito contentes que a prefeitura de Marechal Deodoro também esteja empenhada nisso e também o envolvimento do Ministério Público”, declarou Alceu Nascimento, da empresa de consultoria Mãos Verdes, responsável pela gestão nacional do Ser+ Realizador.

Representantes das cooperativas após a assinatura (Foto: Mariana Lima)

Representantes das cooperativas após a assinatura (Foto: Mariana Lima)

Em todo o país, são trabalhadas no projeto 13 unidades de triagem em 9 cidades de São Paulo, 16 unidades em 4 cidades no Rio Grande do Sul, 4 unidades em 2 cidades da Bahia e, a partir de agora, 5 unidades em duas cidades alagoanas. Neste sentido, Milton Pradines fez uma menção especial às cooperativas de Maceió, que chamou de “as quatro pioneiras” e o trabalho de amadurecimento de seus integrantes e da reciclagem como um negócio.

“Eu estive na Bahia, conheci o trabalho com as cooperativas de lá e consegui perceber como Alagoas andou neste terreno, com passos decisivos e consequentes para atingir os resultados que temos hoje. Vocês estão em um patamar diferenciado devido ao caminho andado, um trabalho de quase 10 anos que tem dado respostas muito fortes nos últimos dois anos”, afirmou Pradines.

Também estiveram presentes à assinatura o superintendente de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), Jean Carlos Gomes, o secretário de Meio Ambiente, Saneamento, Agricultura, Pesca e Aquicultura de Marechal Deodoro, Matheus Gonzalez. A promotora Adir Abreu, por sua vez, destacou como a reciclagem pode interromper o ciclo de pobreza para várias famílias alagoanas.

Coopmar entra no Projeto Ser+ realizador a partir de agora (Foto: Mariana Lima)

Coopmar entra no Projeto Ser+ realizador a partir de agora (Foto: Mariana Lima)

“Quando se fala em reciclagem, quem é o profissional? É o catador. Quando conseguimos dar a essa pessoa o real valor do seu trabalho, ela quebra essa linha de pobreza não só financeiramente, mas em perceber seu real valor, em manter suas crianças na escola, em trabalhar com dignidade”, destacou a promotora.

Em Maceió, o Ser+ Realizador já bateu duas grandes metas para 2018, que são o aumento de vendas em 10% e 40% aumento real de renda para os cooperados. Outros avanços não são medidos apenas em números, mas em desenvolvimento pessoal, como o de Patrícia Ramos, presidente da Cooprel Benedito Bentes e há 6 anos atuando como catadora.

“Eu voltei a estudar, concluí meu ensino médio e fiz Enem duas vezes, mas ainda não consegui entrar em Engenharia Ambiental, que é meu sonho. Uma faculdade particular até prometeu uma bolsa, mas não voltou a falar comigo. Isso não me desanima, vou continuar tentando. Vou ser a primeira catadora com diploma de ensino superior em Alagoas e vou fazer isso trabalhando na minha área”, profetizou Patrícia.


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