, Terça-Feira - 13 de Novembro de 2018

 

Comissão de delegados será nomeada para investigar Chacina de Igaci

Redação / 1:08 - 15/10/2018


Uma comissão formada por três delegados será nomeada hoje (mas a publicação com os nomes só deve sair amanhã no Diário Oficial do Estado) para apurar a Chacina de Igaci. A presidência do inquérito deverá ficar sob a responsabilidade do delegado Josias de Lima, que começa nesta terça-feira a ouvir as pessoas arroladas como testemunhas.

Nesta manhã, o delegado-geral Paulo Cerqueira confirmou que nomeará a comissão de delegados para o caso. “Pode escrever. Eu decidi agora mesmo que vou nomear uma comissão de delegados para apurar este crime”, disse o delegado-geral, durante coletiva de imprensa para apresentação dos dados sobre a redução da violência em Alagoas.

Antes disso, à reportagem , ele tinha falado que o crime estava praticamente esclarecido e que o delegado Distrital, Josias Lima, não tinha solicitado reforço nas investigações. “Se ele [o delegado] pedir apoio, eu darei”, comentou o delegado-geral.

No entanto, devido à importância do caso, Paulo Cerqueira decidiu nomear uma comissão de delegados. A Chacina de Igaci foi motivada pelo assassinato do sargento da Polícia Militar de Pernambuco, José Adeildo dos Santos. Esse crime aconteceu na noite de 5 de setembro passado, no bairro Heliópolis, em Garanhuns/PE.

O sargento foi morto pelo comerciante Sebastião Severo e seus filhos, Alexandro e Fabiano Severo. O crime foi filmado por uma câmera instalada numa casa comercial próxima ao local do assassinato. O sargento Adeildo foi espancado, levou oito facadas, sendo a maioria nas costas, e teve uma pistola levada pelos criminosos.

Após matarem o sargento, os três entraram num veículo Pálio Weekend, da família, e fugiram. Advogados contratados pela família Severo informaram que os três iriam se apresentar e que só fariam isso à Justiça, uma vez que temiam uma reação da polícia, caso se apresentassem numa delegacia.

O sargento era lotado no 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), com sede em Garanhuns, e comandava o destacamento policial da cidade de Caetés/PE. O crime chocou a cidade, onde o sargento PM era bem relacionado e tinha vários amigos tanto na corporação, quanto na igreja evangélica e pelos serviços sociais que prestava à população.

Ocorre que, na quinta-feira passada, um grupo formado por 12 homens, em três carros teria dominado, em Arapiraca, uma jovem que seria parente dos Severo, em  e obrigando-a a revelar o esconderijo dos três, na cidade. Num áudio via WhatsApp, que enviou ao restante da família, a jovem disse que foi obrigada a dizer onde os três estavam, senão seria morta.

Em seguida, Severo e os filhos foram dominados numa casa, “algemados” com “enforca-gatos”, colocados nas malas dos veículos e levados para uma estrada de barro (sem saída), no Sítio Capricho, em Igaci. No final da estrada – que tem pouco mais de dois quilômetros – eles foram retirados dos carros e executados ali mesmo.

Fabiano e Sebastião Severo foram mortos com tiros de espingarda 12 no rosto. Alexandro com tiros de pistola na cabeça e no tórax. As suspeitas são de que esta chacina foi cometida por policiais militares de Pernambuco, motivo pelo qual o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas vai nomear uma comissão de delegados para apurar o caso.


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