Bom Dia!, Sexta-Feira - 22 de Junho de 2018

 

“Clandestino, o caminho mais curto para o acidente”

Deraldo Francisco / 9:17 - 21/02/2018


Cansados de esperar a atuação mais rigorosa da SMTT, os empresários de ônibus resolveram reagir contra os clandestinos. No vidro traseiro dos ônibus consta a mensagem que o “clandestino é o caminho mais curto para o acidente”. A ideia é alertar ao usuário dos riscos que ele corre ao embarcar num transporte clandestino, bem como a ausência de direitos.
Faz sentido porque, sem pagar pela exploração do transporte, o clandestino não pode oferecer garantias para o usuário. Na competição com outros clandestinos e com o transporte regular, o condutor vai precisar se desdobrar no trânsito e, neste caso, adotar a direção ofensiva. Faz sentido porque, nunca se sabe quem está ao volante do clandestino.
A campanha do Sinturb (Sindicato dos Transportadores Urbanos de Passageiros em Maceió) é objetiva e direta. Foi uma boa sacada do setor. Isso, com muita cautela, porque os empresários sabem o poder de reação deste “setor ilegal” que já chega perto dos três mil carros em Maceió. Para cada três passageiros de usuários, um é “cooptado” pelo transporte clandestino, seja por mototáxi, táxi-lotação, Van do interior ou carros particulares, os chamados “placas cinza”.
Os argumentos pode até comover: “é um problema social; desemprego; pais de família”. Mas, se não estivesse por trás do transporte clandestino de passageiros em Maceió uma rede que coloca, no mesmo rol pais de família que precisam trabalhar, mas que prestam serviço para pessoas com ficha criminal extensa.
Há poucos dias, um transportador clandestino foi preso e usava tornozeleira eletrônica. De fato, ele não deve ser execrado nem responsabilizado por todas as mazelas, mas o caso dele merece uma atenção especial. Ao menos, chamar a atenção para a relação íntima entre violência e exploração do transporte clandestino de passageiros.
Os empresários de ônibus argumentam que, com a evasão dos passageiros – atraídos pelos clandestinos – a forma de calcular os custos para manter o sistema em operação sofre uma considerável alteração. Ou seja: quanto mais evasão, mais argumento para aumentar a passagem de ônibus.


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