Cascavéis ameaçam a população de povoados

Redação / 9:27 - 29/10/2017

Em Maragogi cobras venenosas estão assustando moradores de dois povoados; três pessoas já foram picadas na cidade


Pelo menos três pessoas já foram picadas por cobras cascáveis nos últimos dias, em dois povoados de Maragogi. Duas vítimas foram levadas para o Hospital Hélvio Auto – referência neste tipo de atendimento – e uma, para um hospital em Recife. As cobras venenosas estão sendo vistas nos povoados Ponta do Mangue e Peroba. O fenômeno está deixando a população assustada porque a picada de uma cobra cascavel pode matar em até duas horas

Na cidade, as suspeitas são de que um homem de nacionalidade francesa mantinha um cativeiro clandestino para coleta e venda ilegal de veneno das cascáveis para a produção de soro antiofídico. Ocorre que, nos últimos dias, equipes do Instituto de Meio Ambiente (IMA) e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) estiveram algumas vezes na cidade fazendo inspeções.

As suspeitas são de que, ao perceber a movimentação das autoridades, o responsável pelo cativeiro clandestino teria se descontrolado e descartado as serpentes na mata. Essa versão circulou com um rastilho de pólvora na cidade, no entanto ainda não se tem confirmação deste fato.

“Há muita conversa em torno disso. Antes desse ‘fenômeno´, já sabíamos da existência desse criadouro de cobras venenosas aqui”, comentou um morador. Segundo ele, o responsável pelo cativeiro clandestino mantinha entre 70 e 100 cascáveis.

O aparecimento das cobras cascáveis começou nas proximidades das casas no povoado Ponta de Mangue. Depois, as serpentes passaram a ser vistas com grande frequência na região do povoado Peroba e numa localidade conhecida como Antunes. Três homens cujos nomes não foram revelados teriam sido picados pelas serpentes e precisaram de atendimento médico.

População é orientada a se proteger dos animais sem matá-los

Algumas serpentes foram mortas pela população e outras, capturadas por um estudante de medicina veterinária que está montando um zoológico na cidade. “Estou à disposição da população para capturar estas cobras. Em apenas uma semana fiz a captura de cinco cobras cascá- veis aqui em Maragogi. Isso é uma situação no mínimo estranha, até porque esses animais não estão no habitat deles”, disse Uily Oliveira, estudante em questão. O Zool Maragogi está ainda em processo de licença para funcionamento.

Segundo ele, as causas desse fenômeno ainda são desconhecidas, mas nada deve ser descartado. “A trepida- ção da pista [rodovia AL-101 Norte] deveria conduzi-las para dentro da mata e não para a beira da praia”, explicou Uily, intrigado.

Como possui o material utilizado na captura segura de cobras venenosas, ele tem sido o nome de referência para a captura desses animais peçonhentos. A atuação dele tanto protege a população quanto as cobras. “É claro que existe a preocupação com a integridade física das pessoas. Mas existe a ameaça para os animais. A população não pode ir matando todas as cobras que encontrarem pela frente como está acontecendo em algumas regiões. Aviso à população que, ao avistar esses animais não se aproxime deles nem mate. Basta me acionar que eu vou com os equipamentos necessários para a captura”, explicou Uily Oliveira.

A Sescretaria de Estado de Saúde (Sesau) esteve na região na semana passada e abasteceu o Hospital de Porto Calvo com soro antiofídico.

 


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