Bom Dia!, Domingo - 21 de Outubro de 2018

 

Caminhão desgovernado

REDAÇÃO O DIA ALAGOAS / 10:47 - 03/06/2018


Chegamos ao meio do ano de 2018 , o momento de fazer a avaliação desta primeira etapa que passou. Não, não erramos a conta. Esse ano “acaba” em outubro, seja no dia 7 ou 28, com as eleições. Por isso o fim de maio, mesmo o quinto mês do ano, é o momento de olhar para trás e ponderar sobre o que passou. É perceber que o Brasil se comportou como um daqueles caminhões antigos que todo mundo sobe na boleia e vai para a feira. Com uma grande diferença: o temeroso motorista do Brasil não tem controle nenhum da direção do veículo.

Janeiro veio com aquele misto de esperança que vai melhorar e o medo do que estaria por vir no ano eleitoral. Acabou imprensado pelo carnaval logo no começo de fevereiro e pela pressão ou opressão de uma possível reforma da previdência. A alegria da desforra com a escola de samba Paraíso do Tuiuti foi afastada pelo susto com a intervenção “na segurança” do Rio de Janeiro, só para deixar o país e o mundo atônitos com a execução de uma vereadora em plena supervisão militar. Estamos a quase três meses do assassinato de Marielle Franco e ainda temos mais perguntas que respostas.

Os julgamentos e recursos do ex-presidente Lula culminaram com sua prisão, mobilizando mais gente em sua defesa do que ao lado do atual presidente. Entre a ordem e a entrega, foram dois dias que se esticaram mais que os meses que os antecederam, no entrevero entre Lula e Moro, entre grande mídia e militantes nas redes sociais.

Em todo esse caminho, o país conviveu com reajustes quase semanais do preço dos combustíveis. O impacto no bolso foi tanto que transportadoras e caminhoneiros acabaram travando o país neste final de maio. Temer teve dois dias de glória junto ao mercado após a intervenção do Banco Central provocar a queda do dólar, apenas para a semana virar, os caminhoneiros começarem a greve e o mundo perceber que o temeroso segue sendo decorativo, sem controle do país.

Sufocada quase ao seu limite, a população brasileira tenta viver como pode. Ora improvisa a vida de teimosa que é, ora esquece o bom senso e as aulas de história e apela para que algum salvador, civil ou militar, dê um jeito na situação.

Estamos à beira de uma Copa do Mundo e nem isso parece interessar mais ao brasileiro. A pátria de chuteiras está desgostosa e pessimista, não há verde e amarelo nas ruas como nos outros anos. Não se sabe se fruto da crise de todo dia, dos paneleiros com a camisa da CBF pré-impeachment ou com o famigerado 7×1 da Copa passada. Disso tudo, a única coisa que parece fazer sentido é a máxima de Tom Jobim: o Brasil não é para principiantes.


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