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Banida da Rio 2016, Rússia dá início a sua própria Olimpíada

/ 9:01 - 10/08/2016

Com mais de 110 atletas proibidos de competir no Brasil após o escândalo do doping, país sedia disputa entre exércitos


As federações russas de atletismo e levantamento de peso bem que tentaram, mas não conseguiram reverter a decisão dos tribunais esportivos internacionais e foram banidas da Olimpíada e Paraolimpíada do Rio. Três nadadores e sete canoístas também foram impedidos de competir, completando uma lista de mais de 110 atletas da Rússia barrados dos Jogos de 2016 após a descoberta de um esquema de doping institucionalizado no país.

Apesar disso, os russos fanáticos por esporte não ficarão sem ter para quem torcer durante o mês de agosto. O país recebe, junto do Cazaquistão, a segunda edição dos Jogos Internacionais Militares, que teve início no sábado (30) e seguirá até o dia 13 de agosto. A primeira edição do evento aconteceu em 2015, e também foi sediada pelo país do presidente Vladimir Putin.

Militares acompanham e torcem (Foto: Reprodução/Ministério da Defesa da Rússia)

Militares acompanham e torcem (Foto: Reprodução/Ministério da Defesa da Rússia)

As competições são transmitidas em rede nacional, e os órgãos de imprensa pública, controlados pelo governo, ajudam a propagandear e popularizar o evento. A própria ideia de criar os Jogos surgiu pelo sucesso, tanto entre militares quanto no resto da população, de algumas competições militares já existentes. Os russos juntaram todas, criaram outras novas, e transformaram em um grande evento.

São delegações de 19 países competindo em 23 diferentes modalidades, que vão desde mergulho em profundidade e saltos de paraquedas até corrida de equipes médicas e tiro ao alvo com snipers. São várias formas diferentes de atirar por terra, água e ar.

O ‘esporte’ mais esperado e que conta com mais equipes inscritas, contudo, é o Biatlo com Tanques, no qual as equipes devem atravessar obstáculos em alta velocidade com seus veículos de guerra e parar em determinados pontos do trajeto para acertar alvos com seus canhões.

Veja este vídeo promocional da competição, em que as modalidades são apresentadas:

Brutalidade e delicadeza

As modalidades têm a intenção de simular alguns dos exercícios mais presentes em situações de guerra, quando são exigidas velocidade e precisão dos militares inseridos em zonas de conflitos. A China tem uma das maiores delegações, ao lado dos países sede, e vê importância nas disputas. “[As competições] cobrem as principais situações que tropas de diferentes exércitos podem encontrar em campos de batalha durante operações reais […] refletindo o nível geral de treinamento das tropas”, afirmou Major General Yang Jian, militar do Exército de Libertação Popular da China, em entrevista ao “China Military News”

Mas existem também algumas competições mais amenas, como o circuito com cães treinados, chamado ‘Verdadeiro Amigo’. Nela, o animal e seu treinador devem completar duas voltas de 1500 metros, com algumas paradas para o militar atirar e o animal identificar e atacar inimigos.

Outra prova que exige diferentes tipos de habilidades é a ‘Cozinha de Campo’, na qual equipes culinárias são avaliadas pelo sabor de suas refeições e a ligação do prato apresentado com a cozinha tradicional de seus países. Mas elas não podem colocar a mão na massa sem antes terem acertado alguns alvos com rifles de assalto em duas posições diferentes. Uma espécie de ‘Masterchef’ com armas.

Propaganda militar

Esse tipo de competição não é novidade. A União Soviética também organizava seus jogos militares já na década de 1980. Em novembro de 1998, o Irã também recebeu exércitos oficiais e revolucionários em provas semelhantes.

Agora, a Rússia resolveu resgatar a tradição, e convidou outros 47 países para se juntarem ao evento. O Brasil foi convidado, mas recusou o convite assim como os EUA, Argentina, Japão e outros países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar criada em 1949 para rivalizar com a União Soviética na Guerra Fria).

Foto: Reprodução/Ministério da Defesa da Rússia.

Foto: Reprodução/Ministério da Defesa da Rússia.

Se os Jogos Olímpicos tradicionais transmitem a ideia de união dos povos e competições pacíficas, além de carregarem também historicamente um aspecto de batalha política, os organizadores dos jogos para exércitos não escondem o objetivo de glorificar as atividades militares de seus países, servindo como uma forma de adquirir a simpatia da população e atrair novos membros.

Para Igor Sutyagin, especialista em assuntos militares da Rússia do Royal United Services Institute, em Londres, “é um jogo político e envia uma mensagem não apenas para a população russa, mas também para fora do país. Tem a intenção de mostrar que a Rússia não está sozinha”. Para ele, em entrevista à “Newsweek”, “é um exemplo muito importante de ‘soft power’”.

Entre os 19 países que participam das competições, há representantes da América Latina, África, Europa e Ásia. Outros nove países enviaram representantes para a Rússia como observadores.


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