Arthur Nory: medalha de bronze nas Olimpíadas; medalha de lata na vida

Márcio Anastacio / 3:45 - 14/08/2016

Atleta revela a face racista da Ginástica masculina no Brasil


O bronze olímpico não apaga o histórico racista de Arthur Nory. O Brasil, negro na sua raiz, não pode esquecer o episódio que encheu o esporte de vergonha no ano passado.

Arthur não era Nory, era Mariano. Mudou o nome para apagar a marca racista que o escândalo envolvendo ele e outros atletas da seleção masculina de ginástica deixou. Do seu lugar de privilégio, Arthur pegou para Cristo, Ângelo Assumpção, o único negro na seleção. “o saco de supermercado é branco, o de lixo é preto. Por quê? Perguntava em 2015 Arthur Nory em sua rede social enquanto mostrava Ângelo constrangido.

O episodio deu o que falar, mas a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) deu um jeito de abafar o caso. Ângelo foi proibido de fazer declarações sobre o caso.

Em 2015, ambos os atletas competiram na Copa do Mundo de Ginástica Artística, em São Paulo. Ângelo foi medalha de ouro no salto, Arthur não conseguiu medalha. Duas etapas depois, na Croácia, foi a vez de Ângelo ficar sem medalha e Arthur trazer o ouro.

Em julho, na hora da convocação, o mundo no esporte estranhou a escalação. Ângelo mesmo tendo bons resultados também em outras competições, não foi convocado nem para ficar na reserva da seleção.

Reprodução / Terra

Reprodução / Terra


O racismo está em todos os lugares. Ele gera resultados devastadores na vida de quem sofre. Muita gente hoje comemora o bronze de Nory, mas outros tantos ainda choram a exclusão de Ângelo Assumpção. Único atleta negro com rendimento de alto nível na branca e racista Confederação Brasileira de Ginástica.


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