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Abandono de tratamento de sífilis chega a 20% em Alagoas

Tribuna Independente / 11:24 - 10/10/2018

Este ano, doença soma 1.492 casos no estado; número já é maior do que o registrado durante todo o ano de 2017


O crescente aumento dos casos de sífilis – em três anos o estado registrou mais de 3,8 mil casos -, chama atenção também para outro problema: a taxa de abandono do tratamento da doença. Em Alagoas, o índice de descontinuidade chega a 20%, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Em todo o ano passado foram registrados 1.397 casos da doença. De janeiro até agora, já são 1.492, 6% a mais e ainda faltam dois meses para encerrar o ano. Com a descontinuidade no tratamento a cura da doença fica prejudicada e cria-se margem para reinfecções. É o que aponta a infectologista Margareth Monteiro.

“Após o diagnóstico deve-se iniciar de imediato o tratamento e ficar em acompanhamento, porque muitas vezes o paciente faz a medicação, mas desaparece. Volta a entrar num grupo de risco, o parceiro muitas vezes não é tratado, aí fica naquilo o paciente é tratado, mas o parceiro (a) não é, se contamina, não faz o tratamento corretamente. E realmente o que a gente vem observando é um aumento muito grande nesses pacientes com sífilis e a gente sabe que é descuido, mas é preciso ter cuidado, ter responsabilidade de cada um e com os parceiros, porque além da sífilis há o risco de pega outras DST’s”, explica a infectologista.

Mesmo realizando o tratamento e acompanhamento de forma adequada, a médica ressalta que há o risco de novas contaminações. O ideal, segundo ela, é que o acompanhamento ocorra durante 90 dias após o término do tratamento.

“Há o risco de ser reinfectado. É preciso que faça o exame, que faça esse acompanhamento. Como a medicação são três semanas, uma dose por semana, muitas vezes o paciente já se sente bem, acha que está tudo bem e deixa de fazer o acompanhamento e os novos exames para confirmar a negativação da doença. Aí toma a medicação e some, ficamos sem saber se os parceiros foram tratados… São todas essas questões e precisamos ficar por perto desse paciente e fazer o acompanhamento com os exames. Depois de encerrar o tratamento, normalmente a gente repete o exame de 60 a 90 dias”

De acordo com a infectologista a falta de sintomas da doença ou a eficácia da medicação muitas vezes dá uma falsa sensação de segurança ao paciente.

“O remédio tem que ser na dose certa, no tempo certo. Muitas vezes o paciente tem sífilis, mas só diagnostica com exames de rotina e percebe que já está instalada. Passa despercebido. Muitas vezes são sintomas muito leves que passam despercebido pelo próprio paciente, mas a gente sabe as consequências que podem levar no futuro”, destaca Margareth Monteiro.

“Não é falta de informação, é falta de preocupação”, diz médica

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza testes rápidos para a detecção da doença, de 2016 para cá já forma distribuídos no estado mais de 430 mil testes, segundo a Sesau.

“São muitos casos. Recebo muitos casos em consultório privado, público… Acredito que o principal problema é o paciente descuidar. Eu fico sem imaginar como na era da informação as pessoas infelizmente acreditam que não vai acontecer com elas. É um despreparo do conhecimento, porque tem gente de todas as classes, de todos os níveis de instrução. Não é falta de informação, é falta de preocupação”, afirma a médica.

O alerta, segundo a especialista, é que a população reforce a precaução. Além disso, exames devem ser realizados de forma periódica.

“A proteção é fundamental. E se for diagnosticado, mesmo que o parceiro não sinta nada, que ele passe pelo teste para saber se é necessário o tratamento. Se for de grupo de risco tem que procurar um médico para fazer o exame para ver se está livre. São vários alertas, principalmente a prevenção dessa doença que é muito fácil de transmitir”, destaca.


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