Boa Noite!, Quinta-Feira - 24 de Maio de 2018

 

40% do planalto pantaneiro está em alto risco de desmatamento

Assessoria / 9:37 - 04/05/2018


O Estudo Índice de Risco Ecológico (IRE) lançado hoje pelo WWF-Brasil revela que 40% do planalto da bacia do Alto Paraguai está em alto risco e que, menos de 1% do planalto pantaneiro é protegido por Unidades de Conservação (UC’s) e 55% da área já foi desmatada. Entre as ameaças estão o intenso processo de conversão de áreas de vegetação do Cerrado por pastagens e cultivos agrícolas, a criação de barragens para geração de energia.

65pantanalA região do planalto pantaneiro é importante porque é lá que se concentram as “torres de água”, ou seja, fontes de água que fazem do Pantanal uma área úmida. Portanto, só é possível conservar a planície alagável do Pantanal se essas “fontes” ou “torres” de água forem preservadas. “Estamos enfrentando um cenário alarmante. Menos de 1% do planalto pantaneiro é protegido por Unidades de Conservação (UC’s) e 55% da área já foi desmatada. A conversão de vegetação do Cerrado na maioria das vezes não ocorreu segundo critérios de segurança ambiental, como a manutenção de vegetação ripária e reservas legais. Somente no estado de Mato Grosso, o déficit estimado de reserva legal é de 392 mil hectares”, afirma o coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio.

O documento (em anexo) aponta ainda que a expansão econômica da agropecuária sem o devido planejamento ambiental trouxe impactos não apenas relacionados à perda da biodiversidade, mas também ao aumento da perda de solos, causando alterações no regime hídrico do Pantanal e em sua dinâmica de inundação. “A produção na região nem sempre obedece a melhores práticas. Em áreas de pecuária é frequente o sobrepastejo, causando a compactação dos solos e maiores taxas de escoamento superficial. É fundamental que sejam adotadas técnicas para manejo adequado do gado, evitando um número excessivo de animais por hectare e que sejam aplicadas técnicas para diminuição e controle de processos erosivos. Em áreas de cultivo agrícola, técnicas como terraceamento e plantio direto também devem ser expandidas, reduzindo o impacto do assoreamento nos ecossistemas aquáticos”, afirma Iván Bergier, pesquisador da Embrapa Pantanal.

Hidroelétricas – ameaça

O IRE aponta que a instalação de hidroelétricas é uma grave ameaça à região do planalto da bacia do Alto Paraguai, onde estão projetadas aproximadamente 110 intervenções, entre Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH’s) e Centrais Geradoras. Quarenta desses empreendimentos já foram instalados, barrando aproximadamente 20 cursos d’água. “Se todas as usinas planejadas forem instaladas, mais de 45 afluentes do rio Paraguai terão suas vazões alteradas, causando impactos ainda desconhecidos ao sistema hidrológico e à migração reprodutiva de peixes, que saem da planície e nadam em direção às cabeceiras (piracema)”, explica José Sabino, pesquisador da Uniderp e coordenador do Projeto Peixes de Bonito.

Propostas de navegação industrial, como a hidrovia do rio Paraguai, também são ameaças identificadas. A intensificação de dragagens e desobstrução de barreiras naturais precisam ser mais bem compreendidas em um contexto integrado, com uma avaliação da sinergia dos impactos ambientais na bacia. “Tais avaliações devem considerar períodos críticos de funcionamento do Pantanal, particularmente períodos históricos de seca (previstos para serem intensificados e mais frequentes com mudanças climáticas). Além disso, precisamos entender bem como mudanças no fluxo e velocidade de água nos canais podem ter efeitos no pulso de inundação, gerando ameaças para a dinâmica social, econômica e ecológica do Pantanal”, diz Fábio Roque, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.


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